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CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DO COMPORTAMENTO CANINO

SEGUNDA PARTE

1) DESENVOLVIMENTO COMPORTAMENTAL

Com 3 semanas, o período de socialização se inicia. Esta é a fase isolada mais importante de toda a vida de um cão. Com 3 a 4 semanas de idade, os irmãos estão interagindo com brincadeiras. Isto logo evolui para jogos de luta, meneios de cabeça e rosnados. Este é o momento em que os cães aprendem a controlar a pressão das mandíbulas, se um companheiro de ninhada morde com muita força a "vítima" este imediatamente irá ganir e encerrará a brincadeira, assim, o mordedor aprende quando a pressão se torna dolorosa. Quando o cão adota esta prática com um humano, geralmente é considerado animador e muitas vezes estimulada pelos mesmos que tendem a tolerar mais a dor continuando a brincadeira, com isto a lição aprendida é que uma pressão grande da mandíbula é necessária para causar dor. Mais tarde, uma pequena mordida de advertência na perspectiva do cão pode na realidade infligir uma lesão séria ao proprietário ou terceiros. Por isto nesta fase da vida do cão o proprietário não deve estimulá-lo a morder mesmo que seja por brincadeira, deixando estas práticas para fases subsequentes da vida do cão a partir dos 6 meses de idade, sempre com acompanhamento de profissionais especializados. Com 4 semanas os filhotes estarão brincando de cabo de guerra com panos e outros objetos que sejam encontrados, nesta fase começam a desenvolver atividades coordenadas em grupo. Se um filhote vê alguma coisa e vai investigar, todos os outros o seguem. Com 7 semanas, podem começar a ocorrer ataques coordenados aos irmãos mais fracos, isto ocorre principalmente em raças Terriers. Nesta fase os filhotes que permanecem juntos tendem a brigar uns com os outros. As precauções devem incluir o cuidado em não manter juntos mais que dois indivíduos.
O período de sociabilização é o momento em que o indivíduo aprende a reconhecer várias espécies de animais como algo a ser aceito. Se for esperado que um filhote canino se relacione bem com outros cães, com gatos, cavalos ou pessoas mais tarde na sua vida, ele deve manter contato com membros de cada uma desta espécie de "preferência" até a 12 semana de vida. Veja, o fato de seu cão se relacionar bem não com outras espécies desde filhote, inclusive com o homem não significa que o mesmo irá aceitar a qualquer momento a presença destes em seu domicílio.
É nesta fase que ocorrem, em sua grande maioria por nossa culpa, os maiores desvios comportamentais do cão, e "criam-se" os cães que "estranham o dono", "cães assassinos", "intolerantes com outros animais e/ou pessoas", e muitas vezes esta estigma é estendida a raça como um todo, como é o caso do Fila Brasileiro, Rottweiler e nosso Pit Bull entre outros.
Geralmente neste período até 12 semanas que é tão importante para o desenvolvimento comportamental do cão ele é vendido e sai da posse do criador e passa a conviver com o novo proprietário, muitas vezes inexperiente e que comete erros em cima de erros, pensando ele, estar fazendo o melhor para seu filhote. Exemplo de um erro muito freqüente:
Não vou deixar meu filhote conviver com muitas pessoas e outros animais para que ele fique bravo, e seja um bom cão de guarda. Agindo desta maneira você estará criando um problema futuro, que resultará dependendo de sua carga genética e temperamento individual num cão anti-social extremamente carente e dócil ou o que é pior um cão extremamente agressivo.
O certo é deixar sim na sua presença todas as pessoas que desejem, tocar no filhote, brincar, acariciar... pois o mesmo aprenderá a reconhecer desde pequeno que não é a espécie, seja ela humana, canina, felina, que representa o perigo e sim suas atitudes e intenções.
Quando são mais velhos, os cães freqüentemente reagem de maneira agressiva a formas não aprendidas quando eram filhotes, e não podemos esquecer que até 12 semanas o cão ainda não desenvolveu sua acuidade visual por completo, isto explica o fato de cães mesmo sociabilizados terem respostas agressivas para com algumas pessoas que não representam perigo algum quanto as suas atitudes - como pessoas uniformizadas, negros ou brancos, crianças ou adultos, homens ou mulheres, etc.
A partir de 12 semanas de idade, os cães entram no período juvenil, e nesta fase é necessário um reforço ocasional da sociabilização, para evitar que o mesmo seja perdido. Ao mesmo tempo uma experiência traumática neste período pode insocializar um cão. Uma criança travessa da vizinhança que passa sempre atiçando o cão pode criar um cão que reage medrosamente ou agressivamente à crianças. É nesta fase que seu cão estará apto a ser adestrado por um profissional habilitado, pois atos inconseqüentes de proprietários irresponsáveis, mesmo com boas intenções poderão causar experiências traumáticas para o cão e conseqüências muitas vezes no mínimo desastrosas.
Embora as tendências gerais de uma raça possam ser determinadas ou até mesmo estimadas, deve-se lembrar que as exceções são comuns. E quando qualquer raça determinada fica extremamente popular deve-se tomar cuidado porque a personalidade individual poucas vezes é um critério de seleção levado em consideração, por isso pode haver tanta variação entre os indivíduos de uma mesma raça quanto há entre raças específicas.

Maceió, 15 de Julho de 2003


Por: Dr. Bruno Neves Wanderley CRMV 2516/PE e 0348/AL
bneves.vet@ig.com.br

 

 

 
               
               
               
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