CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DO COMPORTAMENTO CANINO
TERCEIRA PARTE
1. Introdução
O comportamento animal é uma ciência ainda pouco pesquisada no Brasil, devido a isto muitos criadores ignoram a importância do conhecimento e interpretação comportamental dos animais domésticos em especial a dos cães diante das inúmeras situações vividas no seu convívio com a nossa "sociedade humana".
O comportamento é o resultado do modo como os vários subsistemas fisiológicos nervosos e hormonais interagem entre si e com o mundo externo e interno.
É importante saber que as desordens do comportamento são provocadas por alterações em várias situações, como por exemplo alterações físicas que provoquem dor, alterações neurológicas como uma neoplasia cerebral, viroses, alterações fisiológicas, e ainda podem ser provocadas, e na maioria das vezes o são, pela genética, no caso da hereditariedade e pela pequena e às vezes nenhuma compreensão das pessoas sobre a natureza canina.
Os canídeos têm necessidades e comportamentos próprios. E muitas vezes nós humanos devido ao nosso desconhecimento em relação a estes comportamentos espécie específicos e/ou muitas vezes raça específicos, entramos em conflito com nossos cães no que diz respeito ao seus relacionamentos provocando os problemas de comportamento, tornando esta convivência desagradável e no caso da agressividade, perigosa.
2. O Vínculo Homem e Cão
O vínculo homem e cão, como é visto hoje, vem a ser uma moderna manifestação da domesticação canina que iniciou-se há mais de 10.000 anos no Oriente Médio. O estabelecimento do vínculo homem e cão firmou o caminho para um processo que tem desde então, provido os seres humanos com uma vasta variedade de produção de alimentos, transporte e animais de companhia.
O entendimento das mudanças nos cães e nos seus relacionamentos com seres humanos durante os primeiros mil anos de contato é pertinente a um número de aspectos problemáticos do vínculo homem e cão como é visto nos dias de hoje em nossa sociedade. Estes aspectos incluem os problemas com mordidas de cães, os quais se relacionam com a agressividade fisiológica, patológica e hereditária.
2.1. A Domesticação dos cães primitivos e o desenvolvimento de aptidões específicas
Inúmeros informativos resumem a domesticação do cão no Oriente Médio e dão detalhes do desenvolvimento do relacionamento entre seres humanos neolíticos e o Canis sp selvagem daquela região. A maioria destes cenários de domesticação sugere uma ou mais subespécies do lobo no sudoeste asiático (C. lupus pallipes, C. lupus arabs) como os canídeos que provavelmente se envolveram neste processo, e sua posição é geralmente mantida por material arqueológico disponível. Entretanto, este contato inicial foi seguido pela rápida dispersão destes seres humanos primitivos e seus "cães-lobos" para fora do Oriente Médio, se movendo para o sul em direção a África, e para o leste, atravessando a Índia em direção ao sudoeste asiático, e existem poucos materiais arqueológicos úteis disponíveis nestas regiões. Deste modo, existe uma notável carência de informações sobre as características destes cães-lobos precocemente domesticados e sobre seu relacionamento durante o desenvolvimento do vínculo homem e cão.
As raças caninas como são conhecidas por nós só vieram a se estabelecer de maneira organizada há aproximadamente 200 anos. Mas antes disso o homem já selecionava cães para funções específicas.
Cães de luta foram selecionados para atacarem rápida e inesperadamente sem aviso, terem um baixo limiar a estímulos que desencadeassem o ataque, alto limiar para dor (menor sensibilidade à dor), perderem o reconhecimento de sinais de submissão que interromperiam o ataque e finalmente foram muitas vezes selecionados para lutar até a morte. Assim é muito comum que pessoas atacadas por cães digam não ter visto nenhum aviso por parte do cão.
A base genética da agressão pode ser demonstrada se compararmos a agressividade dos animais domésticos e dos selvagens os quais descendem. Como exemplo, podemos citar a domesticação do lobo transformando-o em cão. Neste caso, foi o interesse pela facilidade de manejo que levou o homem primitivo, geração após geração, a escolher como reprodutores os animais mais dóceis.
Em outros casos, a seleção humana se dirigiu no sentido de produzir animais mais ferozes, demonstrando aí também a base hereditária da agressividade. Uma vez que na matilha, é o cão dominante que tem, entre outras funções, o papel de guarda do território e defesa dos membros da matilha. Para que o cão cumpra esta função, ele deverá impedir que estranhos à família (matilha) se aproximem ou invadam seu território.
Para entender melhor o comportamento natural dos cães em seu sistema social, devemos conhecer como funciona a organização social dentro da matilha, bem como a liderança de grupo, a qual compreendem os comportamentos de dominância e de submissão, pois a incompreensão que a maioria dos donos de cães possuem em relação à natureza canina é o que provoca, muitas vezes, o comportamento agressivo do animal.
4. A matilha e sua hierarquia - cão líder x dominado
Os cães são animais predadores que vivem em grupos familiares extensos, possuindo uma complexa organização social. Eles, mesmo após muitos anos de domesticação, ainda possuem todos os instintos que seus antepassados precisaram para sobreviver até hoje, como a sobrevivência na natureza, a proteção e o afeto com os companheiros. Estudos de comportamento dos lobos e cães selvagens indicam que a agressão e a violência são exceções; brigas acontecem somente em último caso. Isto porque quando os cães brigam realmente, eles se machucam, e qualquer membro da matilha debilitado diminui as chances de sobrevivência do grupo.
Cães e pessoas podem viver juntos porque possuem sistemas sociais parecidos. Neste sistema, existe um grande cuidado dos pais para com a prole, é usada a comunicação vocal e não-vocal, e é baseado em consideração, não violência física e controle.
Pelo fato de cães e pessoas terem estruturas sociais parecidas, nós nos familiarizamos com muitos sinais caninos. Isto se torna um problema, pois as pessoas assumem que os sinais caninos são exatamente como os nossos.
Sem a consciência de que somos diferentes, entramos em disputa com os cães e acabamos ficando nervosos ou frustrados com suas reações. Esperamos que os cães queiram o que queremos, que sintam como nos sentimos e, ainda pior, que pensem como nós pensamos.
Na matilha existe uma hierarquia relativa de estruturas de regras sociais e a posição do animal no grupo pode ser afetada pela idade, composição sexual do grupo social e por uma habilidade individual.
Por causa destas regras sociais existe um líder entre os cães da matilha, um cão que por suas habilidades ou força, irá conduzir ao demais. O líder impõe respeito através de sinais e atitudes. O tempo todo os animais recebem e passam informações uns aos outros a respeito de quem é o dominante e de quem é o subordinado.
Para os cães a hierarquia é obrigatória, e isto é muito importante para eles, portanto, cada cão sabe exatamente qual é o seu lugar dentro do grupo e se testam constantemente para saber quem é o líder, pois ser o líder da matilha significa proteger os demais membros e impor as regras para que o grupo prospere.
4.1. O Comportamento Dominante - Líder ou dominado
Para o cão, a nossa família e os membros a qual ela é composta, inclusive ele, é a matilha, seu grupo social, e é claro que como todo cão, sempre tentará ser o membro dominante. Para isto acontecer, o cão irá testar todas as pessoas que vivem com ele exibindo comportamentos dominantes que muitas vezes irão passar desapercebidos pelo resto do grupo.
Por exemplo, alguns proprietários acham que o cão está dando um abraço neles quando coloca suas patas em seus ombros. Isto não é um abraço, é um desafio. Na comunicação entre cães, subir em outro cão com as patas da frente é um claro desafio. Acariciando cães no momento em que estão sendo desafiados, os donos, sem saber, "perdem" para eles.
Outros comportamentos exibidos pelo cão como ficar deitado em frente a uma porta, evitando que seu dono passe através dela; sempre querer andar na frente da pessoa em qualquer lugar que ela vá; se apoiar ou colocar a pata sobre o dono insistentemente em todas as oportunidades que ele tiver, definem bem o comportamento dominante e a constante disputa pela liderança do grupo que ele vive.
4.2. O Comportamento Submisso
Um cão submisso sabe qual é o seu papel na família e que este, com certeza não é o de líder. Por exemplo, cães que se apoiam sobre pessoas pedindo atenção não endurecem o corpo, abrem os olhos e acompanham a pessoa para que sejam tocados ou apoiados novamente. Cães buscando por intimidade, normalmente respondem com sons e depois pedem (mexem a cabeça lateralmente, rolam, emitem sons engraçados, balançam o rabo, colocam as orelhas para trás).
É importante entender que um cão submisso não é um cão triste, desprezado e medroso. Se na hierarquia familiar o cão ocupar o lugar mais inferior, ele não ficará desapontado, pelo contrário, ele respeitará a sua posição e viverá muito feliz, pois os cães são tão felizes sendo o membro mais subordinado da família quanto sendo o membro mais dominante.
5. Diversos tipos de Agressividade
A agressividade é um sinal comportamental comum e que raramente tem origem exclusivamente orgânica. Na natureza, de acordo com a situação em um determinado momento, o cão exibe diferentes tipos de agressão.
O comportamento agressivo é todo aquele que tem como objetivo intimidar ou machucar uma pessoa ou um outro animal.
Para os cães que têm comportamento agressivo grave que possa comprometer a integridade física dos membros da família e de outros cães, é indicado o tratamento medicamentoso com o intuito de auxiliar o processo de modificação do comportamento. Sendo assim, podemos dividir a ocorrência do comportamento agressivo em grupos e relacionar cada um deles com diferentes tipos de situação.
5.1. Agressividade ao Dono
Em relação ao dono e aos membros da família, o cão pode apresentar tipos de comportamento agressivo que podem estar divididos em: agressividade relacionada ao medo e a agressividade relacionada a crianças.
5.1.1. Agressividade Relacionada ao Medo
Este é um tipo de agressividade bem comum e bastante perigoso. Cães que são reprimidos por seus donos através de punição física têm grandes chances de começarem a atacá-los para se defender.
Filhotes que são mal socializados ou que apanham podem ficar traumatizados e, ao se tornarem adultos e se depararem com uma situação aparentemente ameaçadora, como por exemplo o dono vir em sua direção para abraçá-lo, o comportamento agressivo relacionado ao medo virá à tona e o cão atacará seu dono.
Cães que apresentam este distúrbio comportamental são muito ansiosos, não pedem por carinho e preferem ficar isolados. É natural e adaptável para os cães sentirem medo de estímulos estranhos e apresentarem uma agressividade relacionada a este medo para que o estímulo responsável pelo medo ou ansiedade vá embora. Portanto, o processo de socialização deve ser muito bem feito para habituar o animal a estímulos que normalmente desencadeiam o medo como aspirador de pó, cortadores de grama, ciclistas, trovões, automóveis e hospitais veterinários. Mas o mais importante para que o cão não demonstre agressividade é nunca usar de agressão física para puni-lo.
5.1.2. Agressividade a Crianças
Os cães também podem apresentar agressividade relacionada às crianças. Alguns cães reagem agressivamente somente com crianças, pois as crianças estão no mesmo nível de visão (altura) dos cães e seus olhares fariam o cão achar que elas estariam encarando-os sendo isto percebido como uma ameaça, fazendo com que os cães tomem uma atitude defensiva.
A tendência em atacar (crianças) está mais relacionada à reatividade do que a outros tipos de agressividade, e raças pequenas são quase sempre mais reativas que raças maiores. Portanto, algumas raças pequenas não são muito apropriadas para famílias que possuem crianças pequenas.
Se um cão jovem aparenta ter medo de crianças, elas devem ser apresentadas ao cão de uma maneira tranqüila. Quanto mais velho for o cão, mais difícil será o processo de habituação.
5.2. Agressividade Dirigida a Estranhos
Uma questão que deve ser lembrada quando falamos em agressão a pessoas estranhas é a posse responsável e novamente deve ser citado aqui o processo de socialização do animal em relação às pessoas que ele irá se deparar quando for passear na rua ou em um parque, por exemplo.
5.2.1. Agressividade Territorial
A agressividade territorial pode ser observada na casa, no gramado, na vizinhança, durante um passeio, dentro do carro ou em qualquer lugar que o cão tende a freqüentar e marcar com sua urina.
Este comportamento é complicado pelo medo e poderá piorar se o cão ficar acorrentado por períodos prolongados.
Aqui o tratamento se baseia na prevenção, diminuindo a visão ou o acesso do cão à rua; cães gravemente afetados devem receber focinheiras, principalmente quando forem passear e também pode ser usada a modificação ativa do comportamento.
5.2.2. Agressividade Relacionada ao Medo
Este tipo de comportamento é defensivo e pode acontecer em diversas situações ameaçadoras como na clinica veterinária, em exposições caninas ou durante caminhadas. Quando o cão não está acostumado (socializado), homens muito grandes, crianças, pessoas que parecem estar se movimentando de modo estranho (como os deficientes físicos) ou outras situações incomuns podem causar medo.
5.2.3. Agressividade Predatória
Mesmo depois de todo o processo de domesticação do cão primitivo, o instinto predatório essencial para a sobrevivência sempre esteve presente.
O cuidado que devemos tomar aqui é com os bebês, principalmente os recém nascidos que em resposta ao seu odor ou ao seu choro, o instinto predatório do cão pode aflorar e as conseqüências seriam devastadoras.
5.3. Agressividade para com outros Animais
5.3.1. Agressividade Dirigida a Cães da Mesma Casa
Estes tipos de agressividade partilham de componentes instintivos muito fortes. Entre eles, podemos citar a luta para chegar à posição de líder na matilha e a predação.Lutas caninas domésticas freqüentemente são conflitos de dominância, tipicamente entre cães do mesmo sexo. Tais combates podem ser lesivos e mesmo fatais (no caso de briga entre duas fêmeas).
Estas brigas inconscientemente são provocadas pelos próprios proprietários, pois eles tentam dar o mesmo tratamento para ambos os cães e, às vezes, favorecem o mais fraco e submisso invertendo ou neutralizando a hierarquia que já existia fazendo com que o cão, que outrora era o dominante, tente novamente conquistar o seu lugar na matilha, e outra briga (disputa) acontecerá.
A hierarquia pode não estar bem definida para os cães e eles se mantêm em uma constante disputa para ver quem consegue uma atenção maior do membro dominante da matilha, que no caso seria o proprietário.
Respeite a hierarquia natural entre seus cães. Alimente, afague e leve para passear na ordem de dominância, sem se sentir culpado, pois esta é uma condição natural para eles e isto evita brigas e confusões.
Diferenças significantes de raça, temperamento, sexo e idade dos cães facilita a estabilidade da hierarquia, evitando as disputas, como por exemplo viverem juntos um Dog Alemão e um Poodle.
5.3.2. Agressividade Dirigida a Cães Desconhecidos
Os ataques a cães estranhos podem ocorrer antes ou depois da investigação que o cão agressor faz sobre o sexo e a atitude do cão-alvo. Este tipo de agressividade normalmente acontece quando a socialização do cão não foi bem feita, ou seja, se ele não teve contato com outros cães, pessoas e barulhos em geral na fase correta do seu desenvolvimento social.
É importante não se mostrar amedrontado nem tensionar a guia ao passar por outros cachorros para que seu cão não os relacione com perigo. Ignore-os e continue andando. Procure fazer seu cão ter associações positivas na presença de outros cachorros dando a ele um brinquedo ou um agrado, ou mesmo comida quando ele ou você avistar outro cão. Com isso, seu cão, na próxima vez que se deparar com outro cão irá associá-lo com a brincadeira.
5.3.3. Agressividade Dirigida para animais de espécies diferentes
O comportamento que os cães exibem aqui é predatório, sendo difícil eliminar este comportamento instintivo. O que se pode fazer é habituar o convívio entre os animais realizando uma aproximação segura entre os dois até que eles se ignorem. Caso ocorra uma resposta de caça, deve-se retomar a habituação.
6. Agressividade Transferida
Quando dois cães que vivem harmoniosamente começam a se morder no momento em que outro cão passa do lado de fora da cerca, estão demonstrando um comportamento de agressividade transferida.
Ao bater no cão, pode ser que a pessoa seja dominante e forte o bastante para evitar um ataque contra si, mas este ataque talvez seja redirecionado para outros membros da família como as crianças e, dependendo do porte do cão, isto pode ser bem perigoso.
7. Agressividade por Dominância
A agressividade por dominância é uma das formas mais comuns de agressividade em cães e se manifesta por um consistente e atípico comportamento agressivo contra as pessoas. Estes comportamentos incluem rosnar, agarrar e morder. É importante salientar que mordidas geralmente são precedidas por um aviso vocal.
A falta de compreensão sobre a natureza da agressividade por dominância em cães tem levado muitos proprietários a tentar lidar com este desvio de comportamento usando de punição física, ou seja, mostrando ao cão quem é que manda.
Os cães mostram agressividade por dominância em várias circunstâncias e o que liga estes eventos é a tentativa dos cães de controlar situações envolvendo pessoas. Situações típicas de provocação incluem:
Importunar um cão enquanto ele está dormindo; Puxar a coleira para corrigi-lo; Puxar a cabeça do cão para colocar a coleira; Enfeitar um cão; Encarar um cão; Mexer com o rosto ou o focinho de um cão; Realizar exercícios em excesso; Dar punição física.
Os alvos da agressão podem incluir um ou mais membros da família, ou o cão pode ser agressivo apenas com pessoas estranhas. Às vezes, alguns cães podem se mostrar agressivos apenas por stress causado, por exemplo, por um desentendimento na família que gere uma discussão. A agressividade não é a mesma com todos os membros da casa. Um membro da família que não tenha muita dominância sobre o cão pode ser atacado com mais freqüência do que uma pessoa que é mais firme com ele, pois ele sabe que pode dominar uma pessoa subordinada a ele. Da mesma forma, alguns cães dominantes agressivos, sabendo que podem dominar pessoas submissas, as deixam de lado para desafiar o membro mais forte da família, ou seja, o líder.
A agressividade por dominância em cães, tipicamente se desenvolve na maturidade sexual, que normalmente ocorre entre 18 e 36 meses de idade (1 a 4 anos). Apesar de a maioria dos cães dominantes agressivos serem machos, esta condição pode ocorrer em fêmeas, freqüentemente em uma idade mais jovem.
Agressividade por dominância não é controlada por hormônios, mas a presença de andrógenos, incluindo a testosterona, ou a falta de estrógenos durante o desenvolvimento sexual ou social pode exacerbar a agressão. Este distúrbio geralmente surge quando há conflitos na hierarquia adotada, no ponto de vista do cão. Se ele se achar superior, não gostará de seguir ordens de pessoas que estão abaixo dele. Cachorros não querem igualdade, eles precisam estar acima ou abaixo de seus donos na hierarquia.
7.1. Cães Dominantemente Agressivos
Em primeiro lugar, devemos saber que a palavra dominante não deve ser usada para descrever um cão que é somente afirmativo, confiante ou insistente. Ele pode ter todas estas características sem ser dominantemente agressivo.
Os cães com agressividade por dominância podem ser divididos em 2 grupos:
1. Aqueles que sabem que estão no controle e podem obrigar seus donos a fazerem suas vontades.
2. Aqueles que são inseguros de seus papéis sociais e usam de comportamento agressivo para mostrar o que querem.
A maioria dos cães dominantemente agressivos estão no segundo grupo. Estes cães recebem informações sobre seus limites social e comportamental baseadas em como seus donos reagem à suas agressões.
Os cães nesta categoria parecem estar incertos de seu status hierárquico na família. Os cães do segundo grupo não direcionam a agressão igualmente para todas as pessoas porque respondem diferentemente a cada interação social.
De acordo com dados obtidos na Clínica de Comportamento do Hospital Veterinário da Universidade da Pensilvânia, muitos cães do segundo grupo também exibem comportamento de atenção. Estes cães são carentes e estão constantemente procurando pessoas que dêem atenção à eles. Estes cães têm um anormal desejo de controle e freqüentemente desafiam outros para determinar suas posições no meio social.
Pelo fato de cães afetados terem um distúrbio de ansiedade e estarem usando comportamentos agressivos para conseguirem o que querem, a punição física nunca deve ser usada. Punição física convence estes cães que a pessoa que os pune é uma ameaça. Portanto, o comportamento agressivo irá piorar. Bater ou surrar um cão afetado cria um relacionamento conflitivo, aumentando a ansiedade e a agressividade canina.
8. Conclusão
Durante a domesticação dos cães, os seres humanos moldaram o comportamento destes animais para agirem de acordo com as necessidades e vontades da sociedade e, por causa disto e pela falta de compreensão da natureza canina, muitos distúrbios de comportamento surgiram e se tornaram um problema para as pessoas. Graças a estudos do comportamento animal, os médicos veterinários têm a possibilidade de estudar estes distúrbios e tentar resolvê-los, juntamente com os proprietários para que a relação homem-cão se torne como ela deve ser, agradável.
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Por: Dr. Bruno Neves Wanderley CRMV 2516/PE e 0348/AL
bneves.vet@ig.com.br
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